quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Luz


Atravessei uma estrada tão longa hoje

Tão longe de casa

Tão longe de tudo

Perdida num lugar desconhecido

Numa língua estrangeira

Tentando deixar para trás

Muito do que me consome


A solidão foi a grande companheira

Desta jornada distante

Contemplando as paisagens pelo vidro

Pensando sobre o que via

A música soando em meus ouvidos

A noite cobrindo o dia

A rua repleta de estranhos


Na sacada do hotel

De tão alto andar

Contemplando a agitação da cidade

Encontro o que me fez fugir

Pois não se pode fugir de si mesmo

Não se pode fugir do pensar

E nem do sentir

Minha mente recorda teu semblante

Teu rosto, teu corpo, teu cheiro

Tua voz, tua conversa, tuas loucuras

Teu sorriso, teu ato do amor

Querendo ou não

Você é a Luz

Que me obriga a sair da escuridão

A encarar meus temores

Meu medo de me entregar


Estar tão distante

Só aumentou a necessidade

Do brilho do teu olhar

A me fitar

Só aumentou a angústia

De querer mais uma vez te tocar

E iluminar as trevas da minha vida

Não sei agora como alcançar tua Luz

Nem se ela ainda pulsa

Com um mísero sentimento por mim

Só sei que espaço e tempo e distância

Não foram suficientes para deixar

De te querer...



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Entre o Efêmero e o Eterno


Se for para ficar por ficar
com qualquer um
em qualquer lugar
sem sentimento algum

Relação sem compromisso
estar com alguém sem se envolver
aceitando tudo como omisso
e que só leva ao sofrer

Melhor então sozinho ficar
porque não se pode ser inteiro
se não se entregar
ao amor dum companheiro...

Amor é se doar
se encontrar e se perder
no infinito de um único par
o bem de alguém querer

Amor é completude
não se oferta pela metade
precisa de plenitude
contrário de fugacidade

Entre o efêmero e o eterno
o vazio e e o significado
Escolho o sempiterno
Nem que seja ao meu próprio lado...

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Nome

No lugar mais improvável de alguém se encontrar

Nossos olhos procuraram um ao outro


Nos identificando como dois seres distintos da multidão que nos rodeava


Nossas vidas num instante se cruzaram sem uma palavra sequer


No entanto precisei partir sem nem saber teu nome e agora não sei por onde posso te buscar...

sábado, 28 de junho de 2014

Poema Metalinguístico


O poeta vive através daquilo que escreve:
Não há que ser real,
Um sonho que seja
No transcorrer da madrugada,
Um delírio lúcido
Que matéria de poesia se pode tornar.

Uma brisa que passa,
Uma canção a tocar,
Expressões perdidas no vácuo,
Sentimentos legítimos ou imaginados,
Minúsculas percepções sensoriais...

Formas,
Frases,
Ideias,
Conceitos,
Trejeitos...

Inspiração no tudo ou no nada,
Desejo que pode não ser desejo,
Imagens tais quais quimeras,
Letras, garatujas, rabiscos, borrões
Que tomam feição de palavras.

O que significa,
O que se interpreta,
A mensagem por trás da mensagem:
Cabe ao leitor decifrar.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Carpe Diem

Longe da multidão
Tendo por testemunhas apenas o céu noturno,
A natureza e os mortos
Entregamo-nos ao nosso breve amor.

Dois seres
Tornados unos no enlace dos corpos
Tão diferentes pelo trilhar da vida
Permitindo-se o prazer do instante.

Desejos obscuros,
Tirânicos, vulcânicos dentro da alma de um;
Desconhecidos, sombrios, indecifráveis
Na percepção do outro.

O que é real ou imaginário?
Não importa,
Pois mesmo na efemeridade do sentir
Nada supera o deleite de um momento.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Vulto


O frio tépido da noite
O couro aquecido da roupa
As pedras sob a sola dos sapatos
O cabelo a cair pelos ombros

O som dos instrumentos a vibrar
Os corpos a se mover conforme a melodia musical
Fumaças de cigarro a eclipsar as vistas
Mistura de odores de perfumes e bebidas
Confusão dos sentidos, embriaguez do pensar

Na multidão, uma sombra conhecida
Um rosto que não se vê,
Um jeito de andar que já se viu
Mãos de instrumentista
Menino que se fez homem
E some

A busca, a procura
Olhar ébrio, desejo sóbrio
Angústia de quem já provou
Mas não por completo
Que almeja mais
Do que já não se tem

Um toque que queimou
Um cheiro que deixou
Beijo que a sanidade levou
Volúpia dos corpos entrelaçados
Tão intensa e tão efêmera

Vulto que entre outros vultos
Desliza, desaparece, declina
Que foge ao contato
Que a alma adentra

Nome gravado em chamas
Figura que se dissolve e, no entanto,
Permanece no pensamento
Fervor que se torna insônia
Fantasma, preso nas lembranças
Que se esvai em sutil névoa pelos dedos

Vulto, sombra, fantasma:
O que restou
Do que se foi...


sexta-feira, 6 de junho de 2014

Sobre você...



Lânguida e alquebrada, forço-me a caminhar
Sozinha, num parque, a luz do luar
Músicas a me embalar e lembranças tentando sufocar
Tudo em vão, pois elas insistem em aflorar

Começo a me lembrar:
Da vez primeira que lhe vi
Que todos ao meu redor sumiram
Como se somente nós dois ali pudéssemos estar

Continuo a lembrar:
Da sua presença dominando o recinto
Ao mesmo tempo que eu lhe percebia tão menino
A quem não conseguia parar de observar

Ainda a lembrar:
Do som da sua voz, do seu sorriso, de cada traço
Do seu corpo tão próximo ao meu
Mas que não sabia se podia tocar

Insisto em lembrar:
Da textura suave da sua pele
Do perfume que deixou em mim
Quando, enfim, pude me aproximar

Principalmente a lembrar:
Dos seus cabelos perdidos entre os meus dedos
De cada pedaço seu, de cada parte
Dos nossos corpos juntos a se acariciar

Restou-me, por fim, a memória a torturar
Com o terno desejo contido em seu olhar
E seu semblante que, num retrato, fico a contemplar
Desesperada, ansiosa, iludindo-me em mais uma vez lhe encontrar.

Sobre mim...


Eu sinto o tempo passar
Mais rápido que possa perceber
Às vezes, mais lento que consigo suportar
Mudanças em mim que não sei entender

Pensamentos, ideias, concepções a compreender
Anseios e dúvidas insistem em perdurar
Menina que a vida fez amadurecer
Mulher que ainda se ilude ao sonhar

Devaneios que levam a amar
O que talvez não se permita concretizar
Desejos que fazem o corpo estremecer
Sensações e imagens que não há como esquecer

Busca diária de quem precisa aprender
Que não é a vida que faz sofrer
Mas as escolhas a realizar
Para que, sem temor, possa me entregar.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Sonhar...

Ainda há que se sonhar

Por mais que a tempestade se levante no horizonte

Ou mesmo que as sombras da noite cerrem suas pálpebras

No silêncio e na imensidão dos pensamentos

No singelo envolver de uma melodia suave

Na porta entreaberta do inconsciente obscuro

Na textura dos lençóis ou no aroma de um perfume conhecido

Na última esperança diante do que se perdeu

...

Ainda há que se sonhar

Enquanto as estrelas cintilantes e o brilho prateado da lua iluminam as trevas

Enquanto se contempla a pureza de um sorriso infantil

Ou uma lágrima de emoção que insiste em cair

Enquanto o sangue flui com intensidade pelas veias e o coração pulsa

Enquanto a natureza com suas cores, formas, cheiros e sabores permanece a embriagar os sentidos

Enquanto houver o erro e a chance de consertá-lo

...

Ainda há que se sonhar

Nem que seja para tentar se encontrar

E se perder dentro do mais íntimo do ser

...

Sempre sonhar

Devanear

Delirar

E quem sabe

Ainda acreditar...


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Eu quero você!

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgryCiKN3fNqyAn94MFSswytPZl5mnFTWmjCX_akSMaJUv309K0juOcpZDC5Crl7aesRqPuRGheXHGo3oiiXzW1uj0Xjdx_z1GsepbP3NEqkOFWOMbl2YT9Yvexnal4S7YwIFKHXfhNT1ud/s1600/Sensual_by_fatallook.jpg

No interior desta cidade
Enquanto o vento bate
Na janela do meu quarto
Eu quero você!

É mais que necessidade
Que o meu corpo retrate
O desejo que aqui reparto:
Eu quero você!

Quase beira a insanidade
De um delírio escarlate
E uma agonia que estou farto:
Eu quero você!

Antes que essa enfermidade
Me consuma e me abate
Tal qual um infarto:
Eu quero muito você!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Sinto um prazer




 
Sinto um prazer
Percorrer-me o corpo todo
Sinto um prazer
E estremecendo morro

Sinto um prazer
Lentamente subindo a espinha
Sinto um prazer
Que é uma coisa só minha

Sinto um prazer
Que não sei como chegou
Sinto um prazer
Que tudo o mais levou

Quadra Religiosa



 
Eu estou tranqüila,
Não preciso me desesperar,
Pois o Senhor me guia
Nos caminhos que tenho de enfrentar.

Anos atrás



 
Anos atrás nasceu um menino pobre
Mas que era o mais rico do universo
Criança ainda tentaram matá-lo
Apenas porque na sua inocência tinha um destino

Anos atrás um homem andou pela Galiléia
Falando coisas que muitos não queriam ouvir
Mas o que ele dizia a todos feria, não por maldade
Ele era puro, mas simplesmente por amor

Anos atrás um homem foi pregado numa cruz
Poucos tentaram salvá-lo, tinham medo
A maioria queria a sua morte, apenas por um motivo
O fato dele se dizer filho de Deus

Anos atrás um homem voltou da morte
Poucos acreditaram e duvidaram de sua honestidade
Mas com amor e brandura ele tudo provou
Para aos seus amados um dia o fruto conceder

Muitos, nos dias de hoje crêem nele
Por moda, por interesse, por vaidade, por poder
E se esquecem do que disse sobre fé e amor
Simplesmente porque ele viveu há alguns anos atrás.

Hoje



 
Eu queria viver apenas hoje
Para poder sorrir ainda hoje
Vendo as crianças correr
Ao entardecer de hoje

Eu queria sonhar hoje
Com algum conto de fada
Que fosse lido hoje
Ser feliz apenas hoje

Um momento, só hoje
Não é tão pouco
Para quem viveu ontem

Ouvir música, cantar, pular
Ver gente no dia de hoje
Para não sofrer amanhã.

O que dizem do Amor



 
Dizem que o amor é cego,
Por que então não lhe compram óculos?

Dizem que o amor é surdo,
Por que não lhe compram um auto-falante?

Dizem que o amor é ciumento,
Ele já leu o Otelo do Shakespeare?

Dizem que o amor não mente,
Mas por que de vez em quando esconde a verdade?

Dizem que o amor não tem cara,
Por acaso já lhe deram um espelho?

Dizem que o amor é eterno,
Mas como, se nós somos mortais?

Dizem que o amor não tem preço,
Então por que não compram um coração para guardá-lo?