domingo, 4 de setembro de 2016

Introdução ao livro de poemas "Frêmito"



O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”.
Fernando Pessoa – Autopsicografia.


Frêmito é um pequeno livro que reúne poemas, pensamentos e devaneios líricos da autora, quando esta se sentiu mais madura para compreender as sensações complexas e contraditórias do seu primeiro livro de poesias e, enfim, permitiu-se saborear o resultado, dizendo não em voz alta, mas em murmúrios poéticos o que sua alma transbordava. Esse novo transbordar, mais contido, mais refletido, vem com suavidade, por meio de versos curtos, que podem estar ou não repletos de sinceridade ou fingimento artístico, no qual os sentimentos da autora e do leitor podem se confundir.

São textos feitos para serem lidos num soçobro, na intimidade, para envolver o leitor com emoções e arrepios que não se sabem se são reais ou imaginários, mas que ainda assim, podem ser percebidos e saboreados, alguns com o gosto amargo de sentimentos tristes como a solidão, o abandono, o vazio, a percepção da fragilidade e dos defeitos humanos; outros embebidos de significados transcendentes e mais alguns baseados no prazer espiritual e carnal do amor.

O próprio título escolhido para esse segundo livro de poemas já demonstra isso, pois alguns dos significados do termo "frêmito" são  "sussurros" , rumor", "estremecimento" e, de fato, essa é a sensação que a autora deseja transmitir com os poemas presentes nesta coletânea. Os textos dessa obra são como palavras envolventes ditas ao pé do ouvido, para estremecer, arrepiar e fazer com que o leitor se entregue ao prazer da leitura.


Ana Claudia Brida
Dourados, 09 de Janeiro de 2014.

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