O silêncio da madrugada é rompido
Pelo rodar do auto que penetra a bruma
Quase inaudível, o som reverbera o alarido,
No interior, de uma canção sem fleuma.
Sem estrelas, estradas molhadas, erma paisagem,
Nada se move sobre o rio enevoado
Apenas lembranças enlevam como doce aragem,
Sensações sinestésicas atiçadas pelo tempo gelado.
Por dentro, corpos quentes que se entrelaçam
Em volúpia de cheiros, toques e beijos,
Instantes de amorosa orgia que se misturam
À suave experiência das cores e desejos.
Seu longo percurso o veículo continua
Enquanto a paixão sentida repercute no pensamento
E na pele ainda quente, outrora nua,
As marcas da loucura e do êxtase de um momento.
Ana Claudia Brida

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